(Santa?) Ignorância

Tanta coisa para aprender. E, quando acho que já aprendi sobre um determinado tema, descubro que existem outros pontos de vista, outras perspectivas.

Os chineses (todos, ou um grupo de uma determinada região, não me lembro) acreditam que a medicina cuida da saúde e não da doença. Nesse contexto, os pacientes pagam um valor periódico aos médicos que cuidam de sua saúde, exceto quando ficam doentes. O médico não pode receber o pagamento, por não ter feito o seu trabalho naquele período. Que tal?

Hoje vi essas fotos interessantes e aflitivas: aliens? http://www.updateordie.com/2015/09/01/aliens/3285-990×765/

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#6 (cheers aos amigos)

Tenho acompanhado o meu filho de 5 anos fazendo novos amigos na escola. Suas escolhas, afinidades, brigas, ciúmes, medos de ser preterido, orgulho de ser o escolhido.. Todos aqueles sentimentos que todos nós temos com relação às amizades e, ainda mais lindos, quando vividos através da ingenuidade de uma criança.
Adulta, me perguntei, algumas vezes, como teria novos amigos, se poderia ter novos amigos, se deveria ter novos amigos.
Sim, posso, sempre. Devo.
Agradeço às amizades que surgiram nos últimos tempos. Cada uma de um jeito, do seu jeito.

#5 (sobre o táxi e o über)

Tive duas experiências com o uber, uma em Nova York e outra em São Paulo.

Na corrida de Nova York, o motorista surgiu no trânsito de Midtown durante a tarde, em dia de chuva. Quem já tentou pegar táxi nessas condições sabe que encara uma missão quase impossível. Foi espetacular.

A corrida de São Paulo foi questionável. O uber promete oferecer um carro sedã preto, um motorista cordial e uma garrafinha de água: não aconteceu. O carro estava certo, mas não vi qualquer garrafinha e o motorista pendurou o paletó dele no banco, de forma que, ao sentar atrás dele (éramos três passageiros), o paletó se transformou em uma cortina sobre as minhas pernas. Além disso, ele ofereceu um caminho pela marginal, bem mais longo (e caro) do que o necessário. E não tinha carregador de celular. Reprovado.

Ainda assim, vou tentar novamente, quando eu me lembrar, pois acabo pegando um táxi por falta de hábito.

Pois bem, hoje peguei um táxi com dois destinos: escola e escritório. O motorista não tinha conhecimento básico da cidade, noções de direção de grandes avenidas. Pensei nos Black Cabs londrinos, cujos motoristas fazem um curso (dizem, de 2 anos) antes de obter a licença.

Como usuária, fiquei furiosa e frustrada. Eu conduzi o motorista, ele apenas manobrou o veículo. Eu avisava quando seguir em frente ou virar, mas na verdade, queria ter me desligado um pouquinho. Que coisa chata: o cara compra um táxi com um baita desconto, não paga imposto e entra no mercado sem qualquer preparo. Ocupa as poucas vagas das ruas sem usar Zona Azul (já que os pontos sempre têm mais carros do que o permitido) e nos vende um serviço precário. Além de tudo, briga por manter o status quo.

Mas. Mas, como estou fazendo um exercício de observação, em busca de possibilidades humanas, respirei fundo e olhei um pouco mais além. E fiquei com pena dele, que não tem trabalho, nem preparo e tenta apenas sobreviver, nos limites que a vida e a cidade permitem.

Ninguém o ensinou a não atender o telefone enquanto dirige, nem a desligar o seu som ardido Ninguém lhe falou que o rádio fica desligado e ele deve perguntar ao passageiro se pode ou não ligar o rádio. Quanto aos caminhos, ele descobriu, na raça, que basta avisar que “é novo na praça” para justificar a sua total falta de conhecimento.

Com isso em mente, consegui ter paciência para conduzi-lo. Se eu tivesse sido ríspida, eu teria ficado irritada e ele teria me achado mais uma imbecil que tem por ai.

Quem sabe, na próxima vez, começo uma conversa sobre bons modos de telefone celular em público.

Inspira laranja e expira azul para ficar überschön.

#4

Será que, finalmente, entendi que posso pedir ajuda e, ainda assim, ser forte? Ou, justamente, por causa disso, ser forte?

Se percebo a minha fragilidade e peço ajuda, consigo me fortalecer. Se tento resolver tudo sozinha, consigo também, mas sem a mesma graça, a mesma leveza e a mesma diversão de ter passado pela mesma experiência na companhia de uma amiga (e uma(s) taças de champanhe).

Pat querida, obrigada.

#3

Almocei em um restaurante que não ia há muitos anos.

Eu queria comidinha gostosa para acalentar a alma, a tal comfort food para compensar uma manhã intensa, e o convite do almoço foi bem vindo.

Chegando lá, resistência da casa em oferecer uma mesa grande para duas pessoas. Meu corpo me entregou, com uma ruguinha na testa e um olhar arregalado. Percebi que queria extravasar e não seria capaz de aceitar a mesa escondida no corredor, algo que teria me atraído em outro momento. Hoje não.

Apesar de não frequentar o local há tempos, eu já tinha um prato preferido. Parecia fácil. Quando chegou, porém, frustração ao perceber que o tamanho do bifinho à milanesa tinha sido reduzido à metade e a mussarela de búfala, que costumava ser inteira, estava cortada (e continha apenas 3/4). Pronto, outra ruguinha, respiração profunda e….

Engoli. Oras, vou reclamar que o prato servido em 2008 era maior que em 2015? Ou que o preço aumentou (não me lembro, mas deve ter aumentado).

Apenas agradeci estar ali, em paz. A vida segue e o brigadeiro da sobremesa cumpriu seu papel.