TaKeTiNa

Um workshop intensivo sobre ritmo, por três dias. Como assim?

Ainda não sei explicar em palavras. E quem precisa entender? Esta é uma das respostas do criador da TaKeTiNa, Reinhard Flatischler, que nos conduziu nessa experiência profunda e transformadora.

Ele usa ritmos primordiais para nos colocar em situações de ordem e caos. Quando aprendemos o passo, ele muda a estrutura, justamente para nos oferecer a possibilidade de entrar e sair da roda.

Não há o que pensar, basta sentir. Uma experiência de entrega completa.

Como o certo e o errado não existem, não há julgamento. E, assim, percebemos que a nossa mente crítica nos exige muito mais do que deveríamos permitir.

O tempo se torna constante, o coração se acalma, a mente se aquieta, enquanto os pés se mexem e as palmas e vozes se encontram.

Todos sorriem em uma total sensação de pertencimento: a energia das pessoas vibra em conjunto.

Desde os bailinhos da adolecencia, eu tinha vergonha de dançar. As minhas amarras nunca me permitiram deixar-me levar no ritmo, justamente porque eu tentava entender o ritmo, seguir a regra.

Neste fim de semana, entendi que posso me entregar. Em um determinado momento, tínhamos de falar a sílaba MA e eu falei o MA na hora errada. Todos olharam para mim, o Reinhard me olhou e, mesmo por um instante, quando o meu suposto erro foi o centro das atenções, cai naquela gargalhada gostosa, leve, solta, onde tudo é permitido. Alegria interna.

Senti o meu corpo extravasar.

Os sons ainda ressoam na minha alma: gum-ma-la-ta-ke.

p.s.: Gustavo Gitti, obrigada por nos proporcionar essa experiência.

 

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#7

Ao inventor da direção hidráulica, meu singelo agradecimento.

Hoje cedo, ao manobrar o meu carro entre tantas colunas no estacionamento do prédio do escritório, ao lado do número crescente de SUVs, me lembrei da felicidade da minha mãe ao ter um carro novo com direção hidráulica. Acho que era o Monza, cor champanhe, metalizada.

Uma sensação incrível poder manobrar sem fazer exercício nem suar.

Bom, nesse caso, ao inventor do ar condicionado, meu singelo agradecimento, também.

famílias

Toda essa conversa sobre o que caracteriza uma família me fez lembrar que, quando eu era criança, eu tinha um critério para avaliar os tipos de família, com apenas duas alternativas: as que gostavam de Nescau e as que gostavam de Toddy.

Esse critério sempre foi tão relevante, mas tão relevante,  que uma vez, quando eu e as minhas amigas (e as amigas das amigas, e as amigas das amigas das amigas) alugamos uma casa em Campos do Jordão para passarmos um feriado, as 19 mulheres não conseguiram se entender e a lista de compras tinha uma lata de cada um, para que todas as preferências fossem atendidas, mesmo que por apenas alguns dias.  Mas as histórias dessa viagem merecem outro post.

Com o tempo, aprendi que as famílias podiam se configurar de outras maneiras: algumas também gostavam de OvoMaltine. Até então, eu acreditava que OvoMaltine não se encaixava em uma alternativa ao Nescau ou ao Toddy. Não, Ovomaltine sempre tinha sido um objeto de desejo para um momento especial, às vezes nos fins de semana, e, se desse muita sorte, na parada da viagem para Ubatuba.

Enfim, aprendi que as famílias se configuravam de várias formas. Algumas, até, gostavam apenas do chocolate do padre, sem açúcar!!

Outro dia fui numa cozinha e vi os quatro, juntos. Pois é, na vida contemporânea atendemos todos os gêneros, sem discriminação. E cada um que seja feliz à sua maneira.

(Santa?) Ignorância

Tanta coisa para aprender. E, quando acho que já aprendi sobre um determinado tema, descubro que existem outros pontos de vista, outras perspectivas.

Os chineses (todos, ou um grupo de uma determinada região, não me lembro) acreditam que a medicina cuida da saúde e não da doença. Nesse contexto, os pacientes pagam um valor periódico aos médicos que cuidam de sua saúde, exceto quando ficam doentes. O médico não pode receber o pagamento, por não ter feito o seu trabalho naquele período. Que tal?

Hoje vi essas fotos interessantes e aflitivas: aliens? http://www.updateordie.com/2015/09/01/aliens/3285-990×765/

#6 (cheers aos amigos)

Tenho acompanhado o meu filho de 5 anos fazendo novos amigos na escola. Suas escolhas, afinidades, brigas, ciúmes, medos de ser preterido, orgulho de ser o escolhido.. Todos aqueles sentimentos que todos nós temos com relação às amizades e, ainda mais lindos, quando vividos através da ingenuidade de uma criança.
Adulta, me perguntei, algumas vezes, como teria novos amigos, se poderia ter novos amigos, se deveria ter novos amigos.
Sim, posso, sempre. Devo.
Agradeço às amizades que surgiram nos últimos tempos. Cada uma de um jeito, do seu jeito.

#5 (sobre o táxi e o über)

Tive duas experiências com o uber, uma em Nova York e outra em São Paulo.

Na corrida de Nova York, o motorista surgiu no trânsito de Midtown durante a tarde, em dia de chuva. Quem já tentou pegar táxi nessas condições sabe que encara uma missão quase impossível. Foi espetacular.

A corrida de São Paulo foi questionável. O uber promete oferecer um carro sedã preto, um motorista cordial e uma garrafinha de água: não aconteceu. O carro estava certo, mas não vi qualquer garrafinha e o motorista pendurou o paletó dele no banco, de forma que, ao sentar atrás dele (éramos três passageiros), o paletó se transformou em uma cortina sobre as minhas pernas. Além disso, ele ofereceu um caminho pela marginal, bem mais longo (e caro) do que o necessário. E não tinha carregador de celular. Reprovado.

Ainda assim, vou tentar novamente, quando eu me lembrar, pois acabo pegando um táxi por falta de hábito.

Pois bem, hoje peguei um táxi com dois destinos: escola e escritório. O motorista não tinha conhecimento básico da cidade, noções de direção de grandes avenidas. Pensei nos Black Cabs londrinos, cujos motoristas fazem um curso (dizem, de 2 anos) antes de obter a licença.

Como usuária, fiquei furiosa e frustrada. Eu conduzi o motorista, ele apenas manobrou o veículo. Eu avisava quando seguir em frente ou virar, mas na verdade, queria ter me desligado um pouquinho. Que coisa chata: o cara compra um táxi com um baita desconto, não paga imposto e entra no mercado sem qualquer preparo. Ocupa as poucas vagas das ruas sem usar Zona Azul (já que os pontos sempre têm mais carros do que o permitido) e nos vende um serviço precário. Além de tudo, briga por manter o status quo.

Mas. Mas, como estou fazendo um exercício de observação, em busca de possibilidades humanas, respirei fundo e olhei um pouco mais além. E fiquei com pena dele, que não tem trabalho, nem preparo e tenta apenas sobreviver, nos limites que a vida e a cidade permitem.

Ninguém o ensinou a não atender o telefone enquanto dirige, nem a desligar o seu som ardido Ninguém lhe falou que o rádio fica desligado e ele deve perguntar ao passageiro se pode ou não ligar o rádio. Quanto aos caminhos, ele descobriu, na raça, que basta avisar que “é novo na praça” para justificar a sua total falta de conhecimento.

Com isso em mente, consegui ter paciência para conduzi-lo. Se eu tivesse sido ríspida, eu teria ficado irritada e ele teria me achado mais uma imbecil que tem por ai.

Quem sabe, na próxima vez, começo uma conversa sobre bons modos de telefone celular em público.

Inspira laranja e expira azul para ficar überschön.