#5 (sobre o táxi e o über)

Tive duas experiências com o uber, uma em Nova York e outra em São Paulo.

Na corrida de Nova York, o motorista surgiu no trânsito de Midtown durante a tarde, em dia de chuva. Quem já tentou pegar táxi nessas condições sabe que encara uma missão quase impossível. Foi espetacular.

A corrida de São Paulo foi questionável. O uber promete oferecer um carro sedã preto, um motorista cordial e uma garrafinha de água: não aconteceu. O carro estava certo, mas não vi qualquer garrafinha e o motorista pendurou o paletó dele no banco, de forma que, ao sentar atrás dele (éramos três passageiros), o paletó se transformou em uma cortina sobre as minhas pernas. Além disso, ele ofereceu um caminho pela marginal, bem mais longo (e caro) do que o necessário. E não tinha carregador de celular. Reprovado.

Ainda assim, vou tentar novamente, quando eu me lembrar, pois acabo pegando um táxi por falta de hábito.

Pois bem, hoje peguei um táxi com dois destinos: escola e escritório. O motorista não tinha conhecimento básico da cidade, noções de direção de grandes avenidas. Pensei nos Black Cabs londrinos, cujos motoristas fazem um curso (dizem, de 2 anos) antes de obter a licença.

Como usuária, fiquei furiosa e frustrada. Eu conduzi o motorista, ele apenas manobrou o veículo. Eu avisava quando seguir em frente ou virar, mas na verdade, queria ter me desligado um pouquinho. Que coisa chata: o cara compra um táxi com um baita desconto, não paga imposto e entra no mercado sem qualquer preparo. Ocupa as poucas vagas das ruas sem usar Zona Azul (já que os pontos sempre têm mais carros do que o permitido) e nos vende um serviço precário. Além de tudo, briga por manter o status quo.

Mas. Mas, como estou fazendo um exercício de observação, em busca de possibilidades humanas, respirei fundo e olhei um pouco mais além. E fiquei com pena dele, que não tem trabalho, nem preparo e tenta apenas sobreviver, nos limites que a vida e a cidade permitem.

Ninguém o ensinou a não atender o telefone enquanto dirige, nem a desligar o seu som ardido Ninguém lhe falou que o rádio fica desligado e ele deve perguntar ao passageiro se pode ou não ligar o rádio. Quanto aos caminhos, ele descobriu, na raça, que basta avisar que “é novo na praça” para justificar a sua total falta de conhecimento.

Com isso em mente, consegui ter paciência para conduzi-lo. Se eu tivesse sido ríspida, eu teria ficado irritada e ele teria me achado mais uma imbecil que tem por ai.

Quem sabe, na próxima vez, começo uma conversa sobre bons modos de telefone celular em público.

Inspira laranja e expira azul para ficar überschön.

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Um comentário sobre “#5 (sobre o táxi e o über)

  1. Alexandre disse:

    Aqui o Uber é meio loteria. Tem desde motoristas profissionais até publicitários, aposentados, e mesmo donas de casa… muitos fazem bicos entre o trabalho oficial.

    em geral usam o Waze, ao contrário dos quase todos taxistas que acham que isto é coisa do capeta e preferem “seus instintos”….

    Em NY nos últimos 5 anos (nascimento do Uber), os 13.000 cabs se mantiveram estáveis em número. e foram criados 26.000 ubers….

    No Brasil temos a cidade que foi precursora do Uber… não têm táxis…. que é…

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