100 OBRIGADOS (ou 101, 102, 103……)

Enquanto eu jantava o meu omelete perfeito – a origem deste post -, pensava no texto que gostaria de escrever. E, ao ligar o computador, demorei alguns minutos para me lembrar do assunto que tinha me parecido tão importante um instante antes.

Que curioso: o assunto é gratidão; justamente aquilo que nos esquecemos, que não damos o menor valor no dia a dia, até que algo dramático ocorra.

Deveria ser o oposto, de acordo com os ensinamentos dos mestres espirituais.

Conheço quem se propôs a reconhecer cem agradecimentos, durante cem dias. Já gostei dessa proposta há algum tempo e fiz algo parecido quando o meu filho me perguntou como se rezava. Em busca de mais espiritualidade e menos religião, contei a uma criança de cinco anos que cada um tem o seu jeito de rezar e que um desses jeitos poderia ser lembrando três coisa boas do dia e uma coisa chata. E assim temos feito: agradecemos mais do que reclamamos, mas também damos espaço para as angústias. Enfim, tem sido proveitoso.

Com relação aos cem agradecimentos dos meus amigos, notei que além de reconhecê-los, eles tornam seus agradecimentos públicos.

Fiquei pensando sobre essa necessidade de publicá-los. Exibicionismo? Desejo de validação? Eu poderia fazer o mesmo em um dos meus caderninhos. E, ainda, aproveitaria para escrever à mão, um hábito que tenho e gosto. Porém, escrever à mão, para mim mesma, não tem o mesmo impacto. A letra fica irregular, as ideias ficam confusas, até preguiçosas. Não temos mais o hábito.

Parece me fazer sentido escrever os tais agradecimentos a um público imaginário. Não busco platéia, mas, ao saber que publicarei meus pensamentos, passo a me preocupar com a sua organização e coerência, em vez de apenas colocar setas em palavras soltas.

Um auto-desafio: assim inicio o meu projeto de agradecimentos diários; porque a vida é boa demais para reclamação.

E, voltando ao omelete…. Estava perfeito, macio, delicioso, fluffy, tudo de bom. Quase igual ao do Mercer Kitchen.

Lembrei de um almoço com o meu então namorado. Foi um daqueles almoços que tudo poderia ter dado errado, pois chegamos num restaurante lotado, sem reserva e sem tempo para esperarmos. Entre tantos atropelos, ele para de comer para observar a perfeição do omelete, redondo, fofinho, igualzinho em cima e embaixo. Lembro da expressão dele: “Como eles conseguem?” Eu consegui, sem querer, sem perceber. E sorri.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s