Primeiro Ano

Empolgação total lá em casa, com o início das aulas do primeiro ano.

Uma menina da classe avisou que já é quase uma adolescente e um dos meninos avisou que quase já tem bigode. Nenhum deles têm certeza do que acontecerá, mas tentam se afirmar na vida quase adulta.

Entre 5 e 6 anos, eles se sentem promovidos com a nova etapa escolar. E nós, mães, orgulhosas dos nossos filhotes.

No caminho da escola, conversa animada. Como eu tinha ido à reunião de apresentação do primeiro ano no sábado (às 8h, para adaptação ao novo fuso horário), contei que a Carla e a Fernanda serão as professoras dele. Falamos de outras coisas e eu voltei ao assunto, para prepará-lo para chegar ao mundo desconhecido:

– Bento, então qual é mesmo o nome das suas professoras? Car___?

– Mamãe, ela vai explicar quando chegar na escola….

Bom, acho que ele está sossegado.

Seguimos.

Chegando lá, andamos de mãos dadas até o portão. As professoras avisaram que estariam na entrada, mas as mães poderiam levar os filhos até a classe, se necessário. Dei uns dois ou três passos para me certificar que uma delas estaria por perto e, então, ele me olhou, apreensivo:

– Mãe não entra na escola!

E lá foi ele, meu filhotinho virando menino, virando criança, feliz, certeiro, carregando sua lancheira de dinossauros, enfrentar o mundo.

 

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TaKeTiNa

Um workshop intensivo sobre ritmo, por três dias. Como assim?

Ainda não sei explicar em palavras. E quem precisa entender? Esta é uma das respostas do criador da TaKeTiNa, Reinhard Flatischler, que nos conduziu nessa experiência profunda e transformadora.

Ele usa ritmos primordiais para nos colocar em situações de ordem e caos. Quando aprendemos o passo, ele muda a estrutura, justamente para nos oferecer a possibilidade de entrar e sair da roda.

Não há o que pensar, basta sentir. Uma experiência de entrega completa.

Como o certo e o errado não existem, não há julgamento. E, assim, percebemos que a nossa mente crítica nos exige muito mais do que deveríamos permitir.

O tempo se torna constante, o coração se acalma, a mente se aquieta, enquanto os pés se mexem e as palmas e vozes se encontram.

Todos sorriem em uma total sensação de pertencimento: a energia das pessoas vibra em conjunto.

Desde os bailinhos da adolecencia, eu tinha vergonha de dançar. As minhas amarras nunca me permitiram deixar-me levar no ritmo, justamente porque eu tentava entender o ritmo, seguir a regra.

Neste fim de semana, entendi que posso me entregar. Em um determinado momento, tínhamos de falar a sílaba MA e eu falei o MA na hora errada. Todos olharam para mim, o Reinhard me olhou e, mesmo por um instante, quando o meu suposto erro foi o centro das atenções, cai naquela gargalhada gostosa, leve, solta, onde tudo é permitido. Alegria interna.

Senti o meu corpo extravasar.

Os sons ainda ressoam na minha alma: gum-ma-la-ta-ke.

p.s.: Gustavo Gitti, obrigada por nos proporcionar essa experiência.

 

lição de casa

Mamãe, que dia é hoje?

Que número está aqui neste calendário?

12.

Então hoje é dia 12.

Sério?!

É, amanhã você vai ver que o número 13 vai aparecer no calendário.

Ah.

Então coloca o número 12 na lição, porque hoje é dia 12.

Não mamãe, agora já é noite 12.

filho de advogada…

Eu não quero ir pra escola hoje.

Você vai para a escola. Hoje e todos os dias.

Menos fim de semana.

Sim, menos fim de semana.

Nem feriado.

Você vai para a escola hoje e todos os dias que não sejam fim de semana ou feriado. E pronto.

Amanhã eu não posso ir.

Ah não, por que?

Porque toda terça feira eu tenho reunião, em casa. Começa na mesma hora que começa a aula e dura todo o tempo da aula.

Ah, reunião?! E com quem?

Com os meus amigos.

Quais amigos?

Eles são invisíveis, ué. Você não vai conseguir ver, nem participar da reunião.

#7

Ao inventor da direção hidráulica, meu singelo agradecimento.

Hoje cedo, ao manobrar o meu carro entre tantas colunas no estacionamento do prédio do escritório, ao lado do número crescente de SUVs, me lembrei da felicidade da minha mãe ao ter um carro novo com direção hidráulica. Acho que era o Monza, cor champanhe, metalizada.

Uma sensação incrível poder manobrar sem fazer exercício nem suar.

Bom, nesse caso, ao inventor do ar condicionado, meu singelo agradecimento, também.

famílias

Toda essa conversa sobre o que caracteriza uma família me fez lembrar que, quando eu era criança, eu tinha um critério para avaliar os tipos de família, com apenas duas alternativas: as que gostavam de Nescau e as que gostavam de Toddy.

Esse critério sempre foi tão relevante, mas tão relevante,  que uma vez, quando eu e as minhas amigas (e as amigas das amigas, e as amigas das amigas das amigas) alugamos uma casa em Campos do Jordão para passarmos um feriado, as 19 mulheres não conseguiram se entender e a lista de compras tinha uma lata de cada um, para que todas as preferências fossem atendidas, mesmo que por apenas alguns dias.  Mas as histórias dessa viagem merecem outro post.

Com o tempo, aprendi que as famílias podiam se configurar de outras maneiras: algumas também gostavam de OvoMaltine. Até então, eu acreditava que OvoMaltine não se encaixava em uma alternativa ao Nescau ou ao Toddy. Não, Ovomaltine sempre tinha sido um objeto de desejo para um momento especial, às vezes nos fins de semana, e, se desse muita sorte, na parada da viagem para Ubatuba.

Enfim, aprendi que as famílias se configuravam de várias formas. Algumas, até, gostavam apenas do chocolate do padre, sem açúcar!!

Outro dia fui numa cozinha e vi os quatro, juntos. Pois é, na vida contemporânea atendemos todos os gêneros, sem discriminação. E cada um que seja feliz à sua maneira.

lendas

Mamãe, lobisomem é um homem que vira lobo e um lobo que vira homem né?

É, ele é um homem e nas noites de lua cheia ele vira lobo.

Mas lobisomem não existe mamãe. Lobisomem é lenda…… Pausa pensativa…. O que é lenda?

Lenda é uma história que a gente acha que é verdade, que parece que é verdade, mas não é.

Mas lenda não é mentira, né?

Não, mentira é falar uma coisa que não é verdade, de propósito, para enganar a outra pessoa.

É. E é feio falar mentira. Lenda não é de propósito. A gente que não sabe direito.

Isso mesmo. A história do lobisomem é uma lenda, uma história que se conta de uma pessoa para outra, como se fosse verdade, mas ninguém nunca soube, mesmo, se era verdade ou não.

Ah, então eu queria que tivesse um dinosomem, sabe? Um homem que vira dinossauro na noite que não tem lua.